LAC — Jornadas de Evolução dos Papéis
Visitante · aprendiz · colaborador · autor · curador · mentor
Fundamento de participação e aprendizagem no LAC

Uma pessoa não recebe um rótulo: ela assume papéis conforme a jornada.

Visitante, aprendiz, colaborador, autor, curador e mentor representam modos de participação no LAC. Cada papel é assumido dentro de uma Jornada ativada por uma demanda cognitiva e situada em um domínio. Esses papéis podem evoluir, coexistir, alternar-se ou retornar conforme a pergunta, o objeto de conhecimento, a experiência, a responsabilidade assumida e o conhecimento que está sendo construído.

Visão geral

A evolução dos papéis descreve o aumento possível de vínculo, participação, autoria, responsabilidade e cuidado com o conhecimento. Ela não constitui uma carreira obrigatória, uma classificação de pessoas ou uma escala de valor humano.

Ideia central: o LAC distingue papéis, não pessoas. A mesma pessoa pode ser autora em um domínio, aprendiz em outro, colaboradora em uma experiência e visitante diante de uma nova pergunta.
Relação com as Jornadas: a evolução dos papéis não precisa ocorrer dentro de uma única Jornada. Ela emerge do conjunto de Jornadas vividas pela pessoa no LAC. Em cada nova demanda, domínio ou objeto de conhecimento, a mesma pessoa pode assumir outro papel.
Sentido de evolução: evolução significa mudança ou ampliação contextual de participação, autonomia e responsabilidade. Não significa superioridade entre pessoas ou papéis. O papel de visitante, por exemplo, é o papel adequado diante de uma nova pergunta ou de um domínio desconhecido.
Visitantedescobre e pergunta
Aprendizestuda e experimenta
Colaboradorcontribui e realimenta
Autororganiza e publica
Curadoravalia e mantém
Mentororienta novas jornadas
Leitura correta do fluxo: as setas mostram uma possibilidade de aprofundamento, não uma sequência rígida. Há atalhos, retornos, pausas, coexistências e movimentos laterais.

O que evolui?

O vínculo com a pergunta, a autonomia, a capacidade de produzir evidências e a responsabilidade pelo conhecimento compartilhado.

O que permanece?

A abertura para perguntar. Mesmo o mentor continua aprendiz e pode voltar à posição de visitante diante do desconhecido.

O que ativa a mudança?

Uma demanda cognitiva, uma contribuição reconhecida, uma representação produzida, uma responsabilidade aceita, uma evidência de uso ou um convite.

Conceitos que estruturam os papéis

O papel não deve ser confundido com a pessoa, a atividade, a tarefa, a função ou a responsabilidade. Essas distinções ajudam a reconhecer com precisão como alguém participa de uma Jornada.

Papel

Posição contextual assumida por uma pessoa em determinada Jornada, domínio e situação.

Atividade

Conjunto organizado de ações realizadas para produzir uma transformação ou resultado.

Tarefa

Unidade executável de uma atividade, com início, ação e resultado observável.

Função

Finalidade ou contribuição esperada daquele papel no contexto da Jornada.

Responsabilidade

Compromisso assumido sobre a qualidade, os efeitos, os limites e a continuidade do trabalho.

Demanda cognitiva

Pergunta, problema, necessidade, contribuição ou responsabilidade que ativa a Jornada.

Regra conceitual: uma tarefa isolada não define automaticamente um papel. O papel é reconhecido pelo conjunto de atividades realizadas, pela função exercida, pela responsabilidade assumida e pelas evidências produzidas.

Os seis papéis

Cada papel combina uma pergunta típica, um modo de participação, atividades esperadas, representações e entregas possíveis, evidências e uma forma de responsabilidade.

1

Visitante

“O que é isto e como pode me ajudar?”

Chega por curiosidade, necessidade, indicação, busca ou exemplo.

  • Explora perguntas e exemplos.
  • Reconhece relevância.
  • Escolhe continuar ou sair.
2

Aprendiz

“Como posso compreender e usar isto?”

Assume uma jornada de estudo, experiência e transformação.

  • Segue rotas de aprendizagem.
  • Relaciona conceitos e prática.
  • Produz evidências de compreensão.
3

Colaborador

“O que minha experiência acrescenta?”

Realimenta o LAC com observações, críticas, exemplos e dados.

  • Comenta e sugere melhorias.
  • Compartilha experiências.
  • Ajuda a validar representações e entregas.
4

Autor

“Como transformo isto em conhecimento organizado?”

Assume autoria sobre uma demanda, objeto de conhecimento, representação ou percurso.

  • Modela e representa.
  • Registra decisões e fontes.
  • Publica versões utilizáveis.
5

Curador

“O que deve permanecer, mudar ou se relacionar?”

Cuida da integridade, coerência, atualidade e rastreabilidade.

  • Revisa qualidade e contexto.
  • Relaciona objetos, representações, entregas e evidências.
  • Controla versões e lacunas.
6

Mentor

“Como ajudo outra pessoa a construir sua própria jornada?”

Orienta sem substituir a autonomia do outro.

  • Formula boas perguntas.
  • Ajuda a interpretar evidências.
  • Abre caminhos e devolve autonomia.
Selecione um papel para abrir sua ficha detalhada.

Como ocorrem as transições

Uma transição de papel ocorre quando há mudança observável no modo de participação dentro de uma ou mais Jornadas. Não basta consumir mais páginas: é preciso assumir nova função, realizar atividades coerentes, produzir evidências ou aceitar responsabilidade sobre um domínio, objeto de conhecimento, representação ou entrega.

Visitante → aprendiz

Gatilho: uma pergunta se transforma em intenção de compreender.

Evidência: escolha de uma rota, leitura orientada, exercício, registro ou experiência.

Aprendiz → colaborador

Gatilho: a compreensão gera uma contribuição útil ao percurso coletivo.

Evidência: comentário qualificado, correção, exemplo, relato, teste ou dado.

Colaborador → autor

Gatilho: a contribuição passa a exigir organização, responsabilidade e continuidade.

Entrega: página, knowgrama, modelo, experimento ou roteiro disponibilizado.

Evidência: autoria, fontes, versão, revisão, publicação ou uso registrado.

Autor → curador

Gatilho: o foco se amplia da produção de um artefato para o cuidado com um conjunto.

Entrega: critérios, mapa, vocabulário, índice, revisão ou decisão de manutenção.

Evidência: justificativa, histórico de versão, rastreabilidade, registro de atualização ou retirada.

Curador → mentor

Gatilho: o conhecimento mantido passa a apoiar a aprendizagem e autoria de outras pessoas.

Evidência: perguntas orientadoras, devolutivas, acompanhamento e criação de condições para autonomia.

Retornos e movimentos laterais

Gatilho: novo domínio, nova dúvida, mudança de contexto ou reconhecimento de uma lacuna.

Evidência: o mentor volta a aprender; o autor colabora; o curador visita uma área desconhecida.

Regra de transição: mudança de papel deve ser reconhecida pela atividade realizada e pela responsabilidade assumida, e não apenas por cadastro, título, tempo de permanência ou quantidade de acessos.
demanda cognitiva → jornada → papel assumido → atividades e tarefas → entrega → evidência ↖──── coexistências, retornos, movimentos laterais e novas jornadas ────↙

Matriz comparativa dos papéis

A matriz ajuda a distinguir propósito, ação, produto e responsabilidade sem transformar os papéis em departamentos isolados.

Papel Foco principal Pergunta típica Ações predominantes Entrega Evidência Responsabilidade Possível próximo movimento
Visitante Descoberta Isso tem relação com minha necessidade? Explorar, comparar, perguntar, reconhecer. Rota escolhida, consulta iniciada ou decisão consciente de retorno. Pergunta formulada, necessidade reconhecida ou contexto registrado. Interpretar sua própria necessidade. Assumir uma jornada de aprendizagem.
Aprendiz Compreensão e uso Como aprendo e aplico? Estudar, experimentar, relacionar, refletir. Síntese, exercício, aplicação, trilha concluída ou nova pergunta organizada. Registro de estudo, teste, aplicação, reflexão ou mudança de compreensão. Construir compreensão ativa. Compartilhar uma contribuição útil.
Colaborador Realimentação O que posso acrescentar ou corrigir? Comentar, testar, relatar, revisar, sugerir. Feedback estruturado, exemplo, dado, correção ou proposta de melhoria. Registro da contribuição, teste, comparação, validação ou retorno recebido. Contribuir com clareza e contexto. Assumir autoria de um artefato ou percurso.
Autor Produção organizada Como representar e tornar utilizável? Pesquisar, modelar, escrever, representar, publicar. Página, knowgrama, modelo, roteiro, pesquisa ou sistema disponibilizado. Autoria, fontes, versão, revisão, publicação, uso ou retorno registrado. Responder pela intenção, conteúdo, fontes e versão. Cuidar de um conjunto relacionado.
Curador Integridade evolutiva O que deve permanecer coerente e atual? Selecionar, relacionar, revisar, versionar, retirar. Mapa, critérios, vocabulário, índice, revisão, atualização ou decisão. Justificativa, histórico, rastreabilidade, registro de mudança ou retirada. Manter coerência, contexto, rastreabilidade e qualidade. Orientar a jornada de outras pessoas.
Mentor Autonomia do outro Que pergunta ajuda esta pessoa a avançar? Escutar, perguntar, orientar, devolver, acompanhar. Plano de Jornada, devolutiva, orientação ou percurso acompanhado. Registro de acompanhamento, evolução de autonomia, nova autoria ou aprendizagem incorporada. Orientar sem capturar a autoria do aprendiz. Continuar aprendendo e formar novos mentores.

Aplicação na arquitetura do LAC

Os papéis devem aparecer na experiência, na arquitetura da informação e na governança, mas sem obrigar o visitante a compreender toda a estrutura interna antes de usar o LAC.

1. Entrada por pergunta

A página pública identifica a necessidade antes de apresentar categorias internas.

Papel predominante: visitante.

2. Rotas de aprendizagem

O percurso combina contexto, conceitos, exemplos, atividades e evidências.

Papel predominante: aprendiz.

3. Canais de realimentação

Comentários, conversas, testes e experiências retornam ao sistema.

Papel predominante: colaborador.

4. Laboratório de autoria

Demandas e objetos de conhecimento são transformados em representações e entregas utilizáveis.

Papel predominante: autor.

5. Núcleo de manutenção

Mapas, índices, vocabulários, decisões e critérios preservam a integridade evolutiva.

Papel predominante: curador.

6. Jornadas acompanhadas

A orientação ajuda outra pessoa a formular perguntas e produzir sua própria autoria.

Papel predominante: mentor.

Princípio de UX: o sistema pode reconhecer o papel pelo contexto e oferecer opções adequadas, mas a pessoa deve preservar liberdade para mudar de rota, voltar, aprofundar ou apenas observar.
Aprendizagem incorporada: a evolução pessoal ou a mudança de papel só produz evolução do LAC quando a aprendizagem, contribuição ou decisão é incorporada a páginas, relações, vocabulários, critérios, jornadas, representações, entregas ou regras de governança.

Exemplo de uma jornada real

Visitantechega com uma dúvida
Aprendizestuda um exemplo
Colaboradorrelata sua experiência
Autorcria uma página
Curadorintegra ao mapa
Mentororienta outra autoria

Governança dos papéis

Quanto maior a influência de um papel sobre o conhecimento compartilhado, maior deve ser a explicitação de critérios, responsabilidades e limites.

Reconhecimento por evidência

O papel é reconhecido por atividades e entregas observáveis. Um título não substitui a prática.

Autoria identificável

Artefatos devem registrar autoria, contribuição, fontes, data, estado e histórico de evolução.

Curadoria justificável

Alterações, relações, arquivamentos e retiradas precisam de critérios e decisões rastreáveis.

Mentoria não tutelar

O mentor oferece orientação e contexto, sem anular a pergunta, o ritmo ou a autoria da outra pessoa.

Acúmulo permitido

Uma pessoa pode desempenhar vários papéis, desde que fique claro qual responsabilidade assume em cada atividade.

Retorno ao desconhecido

Nenhum papel elimina a condição de aprendiz. Reconhecer lacunas é parte da integridade do LAC.

Critério de integridade: uma evolução saudável amplia autonomia e responsabilidade ao mesmo tempo. Quando aumenta apenas o poder de alterar conteúdos, sem critérios e prestação de contas, não há evolução de papel: há risco de governança.

Critérios mínimos de ativação e transição

Entrada no papel

Existe demanda, Jornada, domínio e situação que justificam a assunção daquele papel.

Permanência no papel

A pessoa continua exercendo atividades, função e responsabilidade coerentes com o papel.

Evidência mínima

Há registro observável de contribuição, aprendizagem, autoria, curadoria ou mentoria.

Conclusão

A entrega foi realizada, a responsabilidade foi encerrada ou a Jornada alcançou seu objetivo.

Transição

Uma nova função, responsabilidade ou evidência indica mudança de papel.

Retorno

Nova dúvida, domínio ou objeto de conhecimento pode reativar qualquer papel anterior.

Próximos passos

Esta página estabelece o modelo conceitual dos papéis. Os próximos artefatos podem transformar o modelo em rotinas, critérios de entrada, permanência, conclusão e transição, fichas operacionais e Jornadas específicas.

Revisar Papéis e Jornadas

Alinhar a página anterior ao conjunto visitante, aprendiz, colaborador, autor, curador e mentor.

Atualizar o Subsistema de Jornadas

Incluir estados, transições, evidências e responsabilidades associadas aos papéis.

Especializar a Jornada do Autor

Mostrar como colaboração se transforma em autoria e como autoria se relaciona com curadoria.

Criar fichas dos papéis

Uma ficha operacional para cada papel, com demanda, domínio, atividades, tarefas, função, responsabilidade, entrega, evidência e próximos movimentos.

Criar knowgrama

Representar visualmente evolução, coexistência, retornos e realimentação entre os seis papéis.

Integrar ao vocabulário

Registrar definições oficiais, relações e distinções entre papel, pessoa, jornada, função e responsabilidade.