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Modelo Conceitual de Referência da Aprendizagem

Do interesse em aprender à transformação observável: sujeitos, conhecimento, atividades, jornadas e evidências.

Walter Dominguez · Proposta v1.0 · 20 de outubro de 2026

1. Finalidade e escopo

O MCR-APR-LAC oferece um vocabulário e uma estrutura de referência para especificar, representar, acompanhar e avaliar situações de aprendizagem no Livro Ajustável de Conhecimento.

Definição operacional: aprendizagem é um processo de transformação de conhecimentos, habilidades e discernimento de um sujeito, situado em um contexto e mediado por experiência, estudo, prática e interação. Sua ocorrência é inferida por evidências interpretadas; acesso ao conteúdo, satisfação e conclusão de atividades são registros de participação que, isoladamente, não demonstram essa transformação.

Compreensão

Relacionar ideias, explicar significados e reconhecer limites.

Habilidade

Executar tarefas e procedimentos com critérios de qualidade.

Discernimento

Avaliar situações, justificar escolhas e considerar consequências.

A aprendizagem pode começar por curiosidade, necessidade, experiência ou desafio, antes de existir um objetivo formal. Na organização didática, objetivos e critérios são explicitados e podem ser revistos. O modelo abrange aprendizagem autônoma, mediada e colaborativa; não prescreve uma única teoria ou sequência.

Proposta v1.0 · 20/10/2026 · Sujeita à validação humana

2. Knowgrama conceitual — visão sistêmica

Referente: aprendizagem humana no LAC. Objetivo: tornar explícitas as relações entre sujeito, objeto, atividades, evidências e transformação. Contexto: ambiente sociotécnico com mediação humana e apoio de IA.

Relações centrais da aprendizagem no LACAprendiz e contexto mobilizam conhecimentos prévios e objetivos. Atividades mediadas geram produções, interpretadas pela avaliação. A devolutiva e a adaptação retornam às atividades. Processo organiza e jornada registra a experiência.Aprendiz e contextomobilizam →Conhecimento prévioe necessidadeObjeto e objetivosorientam atividadesAtividade mediadacom recursosJornada registraa experiênciaMetacogniçãoe autorregulaçãoProdução e evidênciade aprendizagemAvaliação por critériose resultado inferidoDevolutivae adaptaçãoProcesso organiza atividades • Fontes e governança atravessam o modelo

As setas expressam relações e realimentação, sem impor um fluxo linear. Visão sintética: o catálogo e as relações detalham elementos omitidos do desenho. Representação vetorial incorporada ao HTML, sem dependência de imagem externa.

3. Catálogo de entidades

4. Relações e cardinalidades propostas

Cada cardinalidade indica o número de destinos possíveis para uma ocorrência da origem. Zero pode significar ausência de registro ou formalização progressiva, sem negar a existência do fenômeno. Relações compartilhadas podem ser N:N; a tabela não substitui um modelo lógico de dados.

OrigemRelaçãoDestinoDestinos por origem
Aprendizagemtem como sujeitoSujeito aprendiz1..N
AprendizagemrecortaObjeto de aprendizagem1..N
Objeto de aprendizagemrefere-se aReferente1..N
Aprendizagemocorre emContexto1..N
Aprendizagempode ser motivada porMotivação0..N
Sujeito aprendizmobilizaConhecimento prévio0..N registros
Necessidade de aprendizagemorientaObjetivo de aprendizagem0..N
Aprendizagemexplicita progressivamenteObjetivo de aprendizagem0..N; ≥1 ao formalizar
AprendizagemorganizaProcesso de aprendizagem0..N descrições
Processo de aprendizagemorganizaAtividade1..N
Jornada de aprendizagemregistra a experiência emAtividade1..N
AtividademobilizaRecurso e representação0..N
AtividadegeraProdução do aprendiz0..N
Produção do aprendizpode fundamentarEvidência de aprendizagem0..N
Evidência de aprendizagemé interpretada porAvaliação0..N
AvaliaçãousaCritério de avaliação1..N
Objetivo de aprendizagemé operacionalizado porCritério de avaliação1..N ao avaliar
Avaliaçãopode gerarDevolutiva0..N
AvaliaçãofundamentaDecisão de adaptação0..N
Decisão de adaptaçãoajustaAtividade1..N
Evidência de aprendizagemsustenta ou limitaResultado de aprendizagem0..N
Resultado de aprendizagempode manifestar-se emTransferência0..N
KnowgramarepresentaObjeto de aprendizagem1..N

A participação liga sujeito, papel, situação e período. Evidências devem ligar produção, aprendiz, atividade, objetivo, critério, autoria e data. Adaptações devem ligar avaliação, justificativa, responsável e atividade ajustada.

5. Distinções que orientam o uso

Processo e jornada

O processo organiza atividades e responsabilidades. A jornada registra como o sujeito efetivamente as vivencia, incluindo retornos e mudanças de direção.

Objeto e recurso

O objeto delimita o que se aprende. Texto, áudio, vídeo, simulação e knowgrama são recursos para trabalhar esse objeto.

Produção e evidência

Um artefato torna-se evidência ao ser relacionado a um objetivo e interpretado por critérios. Sua existência, por si só, não prova aprendizagem.

Resultado e produto

Um programa executável é um produto. Saber explicá-lo, depurá-lo e adaptá-lo pode fundamentar a inferência de um resultado de aprendizagem.

Aprendizagem significativa e conhecimentos prévios

O modelo prevê registrar relações construídas entre o novo conteúdo e o que o aprendiz já conhece. Uma atividade pode solicitar explicação dessas relações e identificação de uma concepção revista; o rótulo “significativa” não substitui a análise das evidências.

Modalidades, preferências e estratégias

Áudio, imagens, leitura, escrita e ação prática são tratados como modalidades de representação e participação. Neste modelo, a escolha de recursos considera objetivo, acessibilidade, contexto, preferência manifestada e resultados observados, sem classificar o sujeito em um estilo fixo nem diagnosticar inteligência.

6. Papéis e participação da IA

PapelResponsabilidade no modeloRegistro observável
AprendizExplorar, produzir, explicar, pedir apoio e autorregular sua participação.Tentativas, explicações, dúvidas e autoavaliação.
ProfessorPlanejar situações didáticas, definir critérios, mediar e avaliar.Plano, avaliações e devolutivas justificadas.
MentorApoiar o planejamento, a reflexão e a revisão do percurso.Perguntas orientadoras e propostas de estratégia.
ColaboradorCompartilhar perspectivas e revisar produções entre pares.Contribuições e comentários com autoria.
IA — apoio tecnológicoSugerir explicações, exemplos, perguntas e análises, conforme escopo definido.Função, entradas, saídas, limites e revisão humana.

A mesma pessoa pode assumir mais de um papel. Professor e mentor podem colaborar no desenho das estratégias. A IA é registrada como sistema de apoio; decisões pedagógicas e juízos de validação têm responsabilidade humana identificada.

7. Exemplo explorável — Algoritmos 01

Referente: algoritmos. Objeto: entrada, processamento, saída e atribuição. Necessidade: distinguir dado, operação e resultado. Objetivo: executar e explicar um algoritmo de soma e adaptá-lo a uma variação.

Atividade: receber dois valores, calcular a soma, produzir pseudocódigo e tabela de execução, explicar cada passo. Critérios: entradas identificadas; atribuições rastreadas; saída correta; explicação coerente; revisão de uma variação.

Exemplos de decisões pedagógicas propostas, sem diagnóstico automático. A escolha ilustra relações do modelo; não mede a aprendizagem do visitante.

8. Regras de integridade e governança

  1. Uma situação formalizada identifica aprendiz, objeto, contexto, objetivos, responsável e versão. Registros exploratórios podem permanecer provisórios.
  2. Cada objetivo avaliado possui atividade e critérios explícitos; critérios devem ser compreensíveis ao aprendiz.
  3. Uma evidência identifica a produção ou desempenho observado, sua autoria, data, atividade, objetivo e critério de interpretação.
  4. Resultados são registrados como esperados, em análise ou sustentados por evidências, com limites. Ausência de evidência não equivale automaticamente à ausência de aprendizagem.
  5. Tempo de tela, cliques, conclusão e satisfação não são usados isoladamente para declarar um objetivo atingido.
  6. Decisões de adaptação registram evidência considerada, justificativa, mudança proposta, responsável e revisão posterior.
  7. Conhecimentos prévios e necessidades são revisáveis; preferências de formato não se tornam categorias fixas do aprendiz.
  8. Processo planejado e jornada vivida permanecem distinguíveis e relacionados por atividades e registros.
  9. Intervenções de IA identificam função, insumos relevantes, saída utilizada e revisão humana; produções assistidas preservam a proveniência.
  10. Coletar somente dados necessários ao acompanhamento; explicitar acesso, finalidade e conservação segundo as regras aplicáveis do LAC.
  11. Knowgramas identificam referente, objetivo, contexto, fontes, autoria, versão e estado de validação.

9. Integração com conhecimento, pesquisa e organização do LAC

InterfaceArticulação proposta
Modelo do conhecimentoAprender transforma a relação do sujeito com objetos e representações; o resultado pode ser representado e compartilhado como conhecimento.
Modelo da pesquisaInvestigar pode integrar uma atividade de aprendizagem. A pesquisa busca conhecimento justificável; a avaliação da aprendizagem examina a transformação do aprendiz.
KnowgramasPodem ser recursos, produções do aprendiz e representações revisáveis dos resultados.
Sistema de aprendizagem ajustávelRelaciona papéis, atividades, evidências, avaliação e decisões de adaptação.
GovernançaDefine responsabilidade, validação, proveniência, uso de IA e tratamento dos registros.

Nome do arquivo: modelo_conceitual_referencia_aprendizagem_lac.html. Localização candidata: fundamentos/modelo_conceitual_referencia_aprendizagem_lac.html, a confirmar pelas regras vigentes de organização física. O caráter transversal do modelo não determina sozinho sua pasta.

Esta entrega define interfaces conceituais; a integração dos links com as demais páginas depende da confirmação dos caminhos canônicos.

10. Fontes, proveniência e decisões editoriais

Fonte principal efetivamente examinada: anexo aprendizagem(20261020-143940).html, “Aprendizagem — O Livro que Aprende”, de Walter Dominguez. Foram aproveitados: compreensão, habilidade, discernimento, aprender a aprender, processo sistêmico, participação ativa, prática, mediação e construção interativa.

Referência de estrutura examinada: modelo_conceitual_referencia_pesquisa_lac.html, MCR-PES-LAC v1.1, de 20/10/2026: finalidade, visão sistêmica, entidades, relações, regras, instância e validação.

Elaboração desta proposta: catálogo, cardinalidades, regras, papéis, exemplo e decisões de adaptação são uma síntese de modelagem produzida com apoio de IA, pendente de revisão de Walter Dominguez. Não constituem transcrição do anexo.

O que foi revisto na fonte
  • Os formatos auditivo, visual, leitura/escrita e prática passaram a ser recursos e modalidades, sem teste de estilo predominante.
  • Não foram reproduzidos os links de índice sem seção correspondente nem o teste apenas anunciado no anexo.
  • As imagens externas não fornecidas foram substituídas pelo diagrama vetorial incorporado.
  • Foram acrescentados objetivos verificáveis, evidências, avaliação, proveniência, autorregulação e adaptação.
Referências citadas pelo anexo — não verificadas nesta elaboração

O anexo menciona “O que é afinal Aprendizagem Significativa?”, atribuído a Moreira (2012), e “Aprender a Aprender”, atribuído a Oakley (2020). São pistas bibliográficas herdadas, não fontes diretamente consultadas nem validação científica desta proposta. Conferir dados bibliográficos e textos antes de homologar a fundamentação teórica.

11. Critérios de aceitação

Checklist de revisão desta proposta. As marcações valem nesta sessão da página e não registram uma homologação permanente.

Como usar

Comece por uma situação concreta: quem aprende, o que deseja compreender ou fazer e em qual contexto. Identifique o conhecimento prévio e formule um objetivo. Escolha uma atividade e os critérios para interpretar sua produção.

Explore o catálogo e o exemplo. Registre a jornada vivida, analise as evidências e justifique a próxima adaptação. Use as regras para revisar a consistência e o checklist para preparar a validação humana.

Conhecimentos prévios

Para explorar a página basta reconhecer uma situação em que alguém aprende. O glossário explica os termos do modelo.

Para especificar ou integrar sistemas, ajuda conhecer entidades, relações, cardinalidades, critérios de avaliação e proveniência. Uma cardinalidade 0..N permite nenhum ou vários registros; 1..N exige ao menos um.

Glossário A–Z

Aprendizagem: Processo de transformação de conhecimentos, habilidades e discernimento do sujeito por experiência, estudo, prática e interação.

Atividade: Ação situada realizada pelo aprendiz para explorar, produzir, praticar ou refletir.

Avaliação: Interpretação das evidências segundo critérios e contexto, explicitando limites.

Competência: Mobilização articulada de conhecimentos, habilidades e critérios de julgamento em uma situação.

Conhecimento prévio: Conceitos, experiências e procedimentos que o aprendiz já mobiliza, incluindo concepções a revisar.

Contexto: Condições sociais, culturais, materiais, temporais e tecnológicas da aprendizagem.

Critério de avaliação: Referência explícita para interpretar uma produção ou desempenho.

Decisão de adaptação: Escolha justificada de ajuste em atividade, ritmo, recurso ou apoio, com autoria e revisão.

Devolutiva: Informação sobre a produção ou processo que orienta o próximo passo.

Estratégia pedagógica: Organização intencional do apoio e das atividades em função de objetivos e contexto.

Evidência de aprendizagem: Registro interpretado em relação a objetivo e critério, que sustenta ou limita uma inferência sobre aprendizagem.

Fonte e proveniência: Origem e histórico rastreável de conteúdos, recursos, produções e intervenções.

Interação e mediação: Troca com pessoas, artefatos ou sistemas que oferece orientação, perguntas e apoio.

Jornada de aprendizagem: Percurso efetivamente vivido pelo aprendiz, com dúvidas, tentativas, descobertas, pausas e decisões.

Knowgrama: Representação estruturada de conceitos e relações, com referente, objetivo, contexto e proveniência.

Metacognição e autorregulação: Planejamento, acompanhamento e revisão que o aprendiz faz de sua própria aprendizagem.

Motivação: Curiosidade, interesse, necessidade ou desafio que inicia ou sustenta o envolvimento.

Necessidade de aprendizagem: Lacuna ou demanda percebida entre a situação atual e a pretendida.

Objetivo de aprendizagem: Transformação pretendida, descrita de modo que possa orientar atividades e avaliação.

Objeto de aprendizagem: Recorte do referente sobre o qual se pretende aprender; neste modelo, não é sinônimo de recurso didático digital.

Participação e papel: Vínculo de um sujeito com responsabilidades em uma situação de aprendizagem; pode assumir vários papéis.

Processo de aprendizagem: Organização das atividades, recursos, responsabilidades e controles; sua descrição pode ser revista.

Produção do aprendiz: Resposta, explicação, execução ou artefato resultante de uma atividade.

Recurso e representação: Meio utilizado na atividade: texto, áudio, diagrama, knowgrama, exemplo, simulador ou objeto físico.

Referente: Aquilo a que o conhecimento ou sua representação se refere: fenômeno, entidade, situação ou prática.

Resultado de aprendizagem: Mudança inferida a partir de evidências; pode envolver compreensão, habilidade e discernimento.

Sujeito aprendiz: Pessoa que aprende, com história, conhecimentos prévios, interesses e condições de participação.

Transferência: Mobilização do aprendido em situação diferente da atividade original.