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Contrato de Referência dos Cinco Modelos da Engenharia da Página Web do LAC

Norma metodológica proposta para distinguir responsabilidades, controlar refinamentos, documentar evidências e preservar a rastreabilidade do conhecimento à concretização.

Versão 1.017/10/2026Status: proposta para validaçãoGovernança humana

1. Finalidade, objeto e alcance

Objeto: estabelecer contratos verificáveis para cinco níveis de representação e refinamento: Mental (M1), Conceitual (M2), Semântico (M3), Lógico (M4) e Físico (M5).

Problema que resolve: reduzir ambiguidades, redundâncias e rupturas de rastreabilidade entre intenção, conhecimento, especificação e concretização de páginas Web do LAC.

Escopo: páginas e knowgramas do LAC, incluindo suas interfaces com arquitetura do sistema, arquitetura de software, UX/UI, design, gestão e governança. Não prescreve uma tecnologia, um formato documental único nem uma ordem de execução inflexível.

Regra CR-01. Cada modelo deve ter objeto distinguível, entrada, saída, artefato, invariantes, validação e relações rastreáveis. Independência significa separação de responsabilidade, não isolamento nem ausência de dependências.

2. Definições e princípios

Nível de representação/refinamento: recorte metodológico que responde a uma pergunta própria e acrescenta compromissos documentáveis. “Nível de abstração” é uma abreviação, não uma afirmação de que cada nível seja estritamente menos abstrato que o anterior.

Artefato: registro identificável e versionável; pode ser uma seção, modelo, arquivo ou conjunto, sem exigir cinco documentos separados.

Invariante: propriedade que deve permanecer válida durante transformações pertinentes; sua violação exige revisão ou exceção formal.

Validação: avaliação de adequação ao propósito, ao domínio e ao usuário; verificação: exame da conformidade com requisitos e contratos. Ambas podem ser necessárias.

Estado: não avaliado, em elaboração, em revisão, validado, aceito com ressalvas, rejeitado ou não aplicável justificado.

Perspectivas transversais: cognitiva, etimológica, epistemológica, funcional, finalística, UX/UI, arquitetura, gestão e governança. Não são automaticamente níveis adicionais.

M1
Mental
→
M2
Conceitual
→
M3
Semântico
→
M4
Lógico
→
M5
Físico

As setas indicam dependências típicas de refinamento, com retorno permitido entre quaisquer níveis quando surgem evidências ou inconsistências.

3. Contratos específicos de cada modelo

Os contratos a seguir definem os elementos mínimos exigidos. A profundidade da formalização deve ser proporcional ao risco, à finalidade e à complexidade da página.

M1

Modelo Mental

Como o ator compreende o objeto?

Objeto e responsabilidade

Como o ator compreende o objeto? O nível representa somente o recorte indicado, sem substituir os demais.

Entradas e pré-condições

Ator identificado; contexto de uso; problema; evidências de compreensão; conhecimento prévio disponível.

Artefato contratual

Registro do modelo mental situado: expectativas, interpretações, dificuldades, hipóteses e estado pretendido.

Saídas

Hipóteses explícitas de compreensão atual e pretendida, com autoria, contexto e grau de confiança.

Invariantes

Toda afirmação sobre compreensão identifica ator, contexto e evidência ou é marcada como hipótese; não equivale à definição oficial do domínio.

Critérios e evidências de validação

Entrevista, observação, tarefa, revisão pelo ator ou triangulação; registrar discordâncias e limites da amostra.

Relações e retroalimentação

M2 recebe hipóteses e necessidades, sem converter automaticamente percepções individuais em fatos do domínio.

Estado de conformidade

Não avaliado → Em elaboração → Em revisão → Validado / Aceito com ressalvas / Rejeitado / Não aplicável justificado.

M2

Modelo Conceitual

Quais conceitos e relações representam o domínio?

Objeto e responsabilidade

Quais conceitos e relações representam o domínio? O nível representa somente o recorte indicado, sem substituir os demais.

Entradas e pré-condições

Problema e escopo; requisitos; fontes; hipóteses de M1; fronteira do sistema.

Artefato contratual

Mapa conceitual de referência e catálogo de conceitos/relações, identificadores e escopo.

Saídas

Conjunto estruturado de conceitos, relações candidatas e lacunas para precisão semântica.

Invariantes

Cada conceito tem identificador estável, descrição inicial e pertinência ao escopo; relações têm extremos identificáveis; não há duplicatas sem justificativa.

Critérios e evidências de validação

Revisão por especialista; análise de cobertura do problema; consistência estrutural; análise de conceitos ausentes e redundantes.

Relações e retroalimentação

M3 recebe conceitos e relações, podendo devolver pedidos de desambiguação ou revisão.

Estado de conformidade

Não avaliado → Em elaboração → Em revisão → Validado / Aceito com ressalvas / Rejeitado / Não aplicável justificado.

M3

Modelo Semântico

O que significam os conceitos, relações e afirmações?

Objeto e responsabilidade

O que significam os conceitos, relações e afirmações? O nível representa somente o recorte indicado, sem substituir os demais.

Entradas e pré-condições

Catálogo M2; fontes; contexto interpretativo; vocabulários existentes; casos de uso.

Artefato contratual

Especificação semântica: definições, relações tipadas, restrições, exemplos, contraexemplos e proveniência.

Saídas

Termos e relações com interpretação controlada e ambiguidades resolvidas ou explicitamente registradas.

Invariantes

Cada definição referencia conceito M2; homônimos/polissemia relevantes são distinguidos; restrições não se contradizem sem registro; fontes e versões são rastreáveis.

Critérios e evidências de validação

Revisão de definições; teste de exemplos e contraexemplos; análise de ambiguidade; comparação com fontes e especialistas.

Relações e retroalimentação

M4 recebe compromissos de significado; decisões lógicas não podem alterar silenciosamente a semântica.

Estado de conformidade

Não avaliado → Em elaboração → Em revisão → Validado / Aceito com ressalvas / Rejeitado / Não aplicável justificado.

M4

Modelo Lógico

Como organizar e operar formalmente o que foi definido?

Objeto e responsabilidade

Como organizar e operar formalmente o que foi definido? O nível representa somente o recorte indicado, sem substituir os demais.

Entradas e pré-condições

Requisitos; M2/M3; cenários; restrições funcionais; decisões arquiteturais pertinentes.

Artefato contratual

Especificação lógica: estruturas, estados, transições, regras, fluxos, interfaces e contratos.

Saídas

Modelo de comportamento e organização suficientemente preciso para implementação e testes.

Invariantes

Regras têm condições e resultados definidos; invariantes de domínio M3 são preservados; estados e transições não contêm contradições não tratadas.

Critérios e evidências de validação

Inspeção de consistência; simulações; casos de teste; cobertura de requisitos; verificação de estados, regras e contratos.

Relações e retroalimentação

M5 implementa contratos lógicos; mudanças técnicas que afetem comportamento retornam a M4 e, se necessário, a M3.

Estado de conformidade

Não avaliado → Em elaboração → Em revisão → Validado / Aceito com ressalvas / Rejeitado / Não aplicável justificado.

M5

Modelo Físico

Como concretizar, integrar, executar e manter a solução?

Objeto e responsabilidade

Como concretizar, integrar, executar e manter a solução? O nível representa somente o recorte indicado, sem substituir os demais.

Entradas e pré-condições

M4 aprovado ou com ressalvas autorizadas; arquitetura; requisitos não funcionais; restrições técnicas; ambiente.

Artefato contratual

Inventário físico: HTML/CSS/JS, dados, dependências, configurações, infraestrutura, implantação e evidências de execução.

Saídas

Artefato executável/publicável e registros de integração, testes, versão e operação.

Invariantes

Componentes físicos têm correspondência com decisões lógicas ou justificativa; configuração e dependências são identificáveis; requisitos críticos têm testes.

Critérios e evidências de validação

Testes funcionais, integração, acessibilidade, segurança, desempenho e aceitação; inspeção de implantação e rastreabilidade reversa.

Relações e retroalimentação

Falhas de implementação podem provocar revisão de M4, M3, M2 ou M1 mediante controle de mudança.

Estado de conformidade

Não avaliado → Em elaboração → Em revisão → Validado / Aceito com ressalvas / Rejeitado / Não aplicável justificado.

4. Relações, transformações e rastreabilidade

4.1 Relações obrigatórias

R1 — M1 → M2: expectativas e hipóteses do ator informam conceitos, sem substituir fontes do domínio.

R2 — M2 → M3: cada definição semântica referencia conceitos/relações identificados; conceitos sem definição suficiente ficam sinalizados.

R3 — M3 → M4: regras, estados e contratos preservam os significados e restrições assumidos.

R4 — M4 → M5: componentes implementados correspondem a contratos lógicos, com justificativas para decisões adicionais.

R5 — M5 → M1–M4: observações de uso, testes e falhas retroalimentam os níveis necessários, sob controle de mudança.

4.2 Identificação mínima de cada registro

CampoExemploObrigação
ID estávelLAC-PW-M3-DEF-001Identificar univocamente o item
Versão e estado1.0 · em revisãoControlar evolução
Origem / fonteBrief, requisito, entrevista, fonte documentalRegistrar proveniência
Relaçõesderiva_de, refina, implementa, valida, contradizRastrear dependências
Responsável e decisãoautor, revisor, aprovadorGarantir responsabilização humana
Evidênciateste, revisão, observação, justificativaFundamentar estado declarado
CR-02. Não é permitido promover um item ao estado “validado” sem evidência registrada. O uso de IA não substitui revisão humana responsável.

4.3 Matriz de artefatos e validação

NívelArtefato contratualValidação
M1 — MentalRegistro do modelo mental situado: expectativas, interpretações, dificuldades, hipóteses e estado pretendido.Entrevista, observação, tarefa, revisão pelo ator ou triangulação; registrar discordâncias e limites da amostra.
M2 — ConceitualMapa conceitual de referência e catálogo de conceitos/relações, identificadores e escopo.Revisão por especialista; análise de cobertura do problema; consistência estrutural; análise de conceitos ausentes e redundantes.
M3 — SemânticoEspecificação semântica: definições, relações tipadas, restrições, exemplos, contraexemplos e proveniência.Revisão de definições; teste de exemplos e contraexemplos; análise de ambiguidade; comparação com fontes e especialistas.
M4 — LógicoEspecificação lógica: estruturas, estados, transições, regras, fluxos, interfaces e contratos.Inspeção de consistência; simulações; casos de teste; cobertura de requisitos; verificação de estados, regras e contratos.
M5 — FísicoInventário físico: HTML/CSS/JS, dados, dependências, configurações, infraestrutura, implantação e evidências de execução.Testes funcionais, integração, acessibilidade, segurança, desempenho e aceitação; inspeção de implantação e rastreabilidade reversa.

5. Tratamento de exceções e conflitos

Toda exceção deve registrar: ID, condição observada, modelo(s) afetado(s), risco, decisão, responsável, prazo, evidência e situação de encerramento.

IDOcorrênciaTratamentoCritério de decisão
EX-01Entrada ausente ou incompletaRegistrar lacuna, responsável, impacto e prazo; não presumir dado inexistente.Prosseguir apenas se o risco for aceito e a dependência for explicitada.
EX-02Ambiguidade ou conflito semânticoAbrir ocorrência, apresentar interpretações e fontes concorrentes.Suspender decisões irreversíveis dependentes do termo; decidir sob governança.
EX-03Contradição entre modelosRegistrar IDs dos elementos envolvidos e a regra violada.Revisar no nível de origem; propagar a correção aos modelos dependentes.
EX-04Artefato não aplicávelJustificar proporcionalidade e fornecer representação mínima equivalente.Não eliminar o contrato nem a rastreabilidade.
EX-05Validação inviávelMarcar como não verificado, explicar motivo e definir validação posterior.Proibir declarar “validado” sem evidência.
EX-06Mudança após aprovaçãoAbrir solicitação, analisar impacto e atualizar versão e dependências.Revalidar itens afetados antes de nova publicação.
EX-07Modelos desenvolvidos fora de ordemAceitar trabalho iterativo e retroalimentação.Manter referências, estados e decisões coerentes entre níveis.
EX-08Divergência entre atoresPreservar visões distintas em M1, identificando seus contextos.Não impor consenso fictício; registrar decisão e evidências.
EX-09IA produz conteúdo não confirmadoRotular como proposta/hipótese, registrar origem e revisão humana.Não promover a evidência ou decisão aprovada automaticamente.
EX-10Falha física revela erro conceitualCriar ocorrência rastreada ao requisito e aos modelos.Revisar desde o nível necessário e executar testes de regressão.

5.1 Fluxo de tratamento

Detectar
→
Registrar
→
Analisar impacto
→
Decidir
→
Corrigir e revalidar

Uma exceção pode ser aceita temporariamente quando o risco é explícito, existe responsável humano e a pendência não inviabiliza a finalidade ou os requisitos críticos.

6. Critérios de aceitação e verificação interativa

Esta lista é um instrumento de revisão. Marcar itens não comprova sua execução; a decisão exige evidências documentadas.

0 de 10 critérios assinalados

Os registros desta lista são mantidos apenas enquanto a página permanecer aberta; use Exportar para guardar evidências de sua revisão.

6.1 Regras para a decisão

Validado: todos os critérios aplicáveis atendidos, com evidências, e nenhuma exceção crítica aberta.

Aceito com ressalvas: pendências não críticas documentadas, com responsável, prazo e risco aceito.

Rejeitado: contradição crítica, ausência de fundamento necessário ou falha que inviabilize a finalidade.

Não aplicável justificado: um item ou artefato pode ser dispensado mediante justificativa, mas não se elimina a responsabilidade correspondente.

7. Caso piloto — Engenharia da Página Web do LAC

Referente: a própria página “Engenharia da Página Web do LAC”. Problema: transformar uma intenção de publicação e aprendizagem em uma página coerente, utilizável, rastreável e evolutiva.

NívelAplicação inicialEvidência a produzir
M1Como visitante, aprendiz e autor compreendem “página Web” e “engenharia da página”Registro de hipóteses e teste com atores
M2Página, ator, conteúdo, knowgrama, jornada, modelo, sistema, arquitetura, governançaMapa conceitual com identificadores
M3Definições de página estática, dinâmica, interativa, ajustável, adaptativa e de modeloVocabulário, casos-limite e contraexemplos
M4Seções, rotas/âncoras, navegação, estados, regras e vínculos entre conteúdosModelo lógico e testes de percurso
M5HTML, CSS, JS, imagens, diretórios e publicaçãoInventário físico, testes e versão publicada

Limitação: a tabela descreve um plano de aplicação; não constitui evidência de que os cinco modelos já foram construídos ou validados para a página.

8. Governança, responsabilidades e evolução

Autor/projetista: elabora e mantém os modelos e suas relações. Especialista/revisor: verifica coerência de domínio, significados e critérios. Gestor: acompanha pendências, versões, riscos e marcos. Governança: define autoridades e aprova exceções relevantes. IA: pode propor, analisar, comparar e testar, sem assumir aprovação final.

Gatilhos de revisão: mudança de escopo, novos atores, ambiguidade descoberta, regra alterada, falha de teste, mudança de arquitetura, evidência de uso ou revisão de políticas.

Registro de decisão inicial: versão 1.0 — proposta metodológica a validar no caso piloto. Os cinco modelos são distintos por responsabilidade e artefato, mas interdependentes; Cognitivo, Etimológico e Epistemológico permanecem perspectivas transversais.

Próxima revisão (v1.1): registrar resultados do piloto, lacunas, redundâncias efetivas e ajustes de critérios. A promoção a norma estável depende de decisão humana documentada.